terça-feira, 27 de junho de 2017

O PT AMEAÇA IR ÀS RUAS BRIGAR SE LULA FOR CONDENADO E PRESO - RAFAEL BRASIL

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Uns malucos do PT capitaneados por um tal de Quaquá, prometem ir às ruas quebrar o pau, se Lula for condenado e preso. Ridículo. Como bem diz um antigo ditado grego, quando os Deuses querem acabar com uma pessoa, o enlouquece. E os petistas, perderam completamente a noção da realidade. Estão descendo a ladeira, e vão continuar assim, até o mais completo ostracismo. Mas afinal, é o que muitos sonham. O povo em massa, defendendo  seu líder das garras da justiça capitalista e burguesa.
E é o que Lula e a cúpula do partido em frangalhos e desmoralizado, sonham, sobretudo depois do depoimento de Lula na justiça federal de Curitiba. Esperavam cinquenta mil pessoas,e nem mil tiveram coragem e disposição para enfrentar a polícia nas ruas. Delírio puro de quem não tem mais saída.
Agora tentam chantagear o povo e a justiça com as pesquisas eleitorais, que apontam Lula como líder,com cerca de 30% das intenções de voto. São os votos históricos do PT quando ainda não tinham o apoio da classe média, classificada como fascista pela intelectual maluca Marilena Chauí. Que ganha uma fortuna como professora da USP, para falar estas sandices.
Enquanto a casa cai, a esquerda tenta se reunificar, com partidos como o PSOL, outra desgraça. Um partido que apoia a ditadura venezuelana não tem futuro. Mas desesperadamente tentam reconstruir um discurso mais do que furado. O povo não aguenta mais, Aliás Lula só foi eleito depois de desmanchar o discurso radical para ganhar o apoio da classe média. Colou, mas com o resultado da "obra", o Brasil falido, atolado em corrupção, e com cerca de 14 milhões de desempregados, fica difícil. E Lula tem a  maior rejeição. Cerca de 50% não votariam nele de jeito nenhum. Seu principal objetivo agora é escapar da cadeia. Assim como todos os políticos dessa república de merda. Muito piorada por mais de uma década de esquerdismo. Alguém duvida? Só os malucos esquerdistas mesmo. Os idiotas de sempre e os que perderam suas infindáveis boquinhas no governo.

PERMANÊNCIA DE TEMER PROLONGA A CRISE - RAFAEL BRASIL

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Desde que os irmãos batista mostraram ao país as entranhas do poder corrupto do Brasil, mais ainda do que vem sendo mostrado aos brasileiros cada vez mais desiludidos e atônitos, que eu disse aqui neste blog que a permanência de Temer no governo só ía prolongar a crise. É o que vem acontecendo. 
Agora, com a confirmação da autenticidade das gravações , Temer vai sair de todo jeito. Tenta, como Lula escapar da justiça e da cadeia. Não tem apoio popular, nem do congresso. Político não gosta de abraço de afogado. Com a popularidade mais baixa do que nos piores momentos do malfadado desgoverno Sarney, ele não se sustenta.
Enquanto isso, membros das altas cortes do judiciário, capitaneados pelo truculento Gilmar Mandes, tentam salvar o que resta da nossa podre classe política.
O certo é seguir a constituição. Sai Temer,entra o interino, aprovado pelo congresso. E que seja comprometido com  as reformas, sobretudo a da previdência. Afinal, nossas instituições, embora apodrecidas por décadas de populismo barato, estão segurando a barca furada da maios crise econômica e política da nossa malfadada história republicana. Mesmo com o sistema político apodrecido, o país anda. 
Temer e sua turma quer vender o peixe das reformas como só eles tivessem condições de fazê-las.Ridículo. O mercado já sinalizou que não. Que vão, como Lula e o petismo, para a lata de lixo da história, e que cumpram suas falcatruas na justiça e na cadeia.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

PGR: GOVERNO E CÚPULA DO PMDB DA CÂMARA FORMARIAM ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA - com O Antagonista

PGR: GOVERNO E CÚPULA DO PMDB DA CÂMARA FORMARIAM ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA


Na denúncia de Rodrigo Janot, a cupula "PMDB da Câmara", o Presidente da República e possivelmente os seu principais ministros integram um organização criminosa:
"Quando da instauração do inquérito no 4327, vislumbraram-se como potenciais componentes dessa organização criminosa ANÍBAL GOMES, EDUARDO CUNHA, HENRIQUE EDUARDO LYRA ALVES, ALEXANDRE SANTOS, ALTINEU CORTÊS, JOÃO MAGALHÃES; MANOEL JUNIOR, NELSON BOURNIER, SOLANGE ALMEIDA, ANDRE ESTEVES, FERNANDO ANTÔNIO FALCÃO SOARES, ANDRE MOURA (filiado ao PSC); ARNALDO FARIA DE SÁ (filiado ao PTB), CARLOS WILLIAN (filiado ao PTC) e LÚCIO BOLONHA FUNARO.
As investigações conduzidas no bojo do Inquérito n. 4.483 indicam não apenas a continuidade da atividade da organização criminosa, como também a participação de MICHEL TEMER, RODRIGO LOURES, ora denunciados, bem como possivelmente do ex-deputado federal e ex-Ministro de Estado GEDDEL VIEIRA LIMA, apontado como homem de confiança de MICHEL TEMER para o trato de negócios escusos, de WELLINGTON MOREIRA FRANCO, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, e de ELISEU LEMOS 

Bomba – Alexandre Romano, o amante da senadora Gleisi Hoffmann foi preso


Bomba – Alexandre Romano, o amante da senadora Gleisi Hoffmann foi preso

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Cenários rocambolescos costumam testemunhar cenas picantes (mesmo que recheadas de pecado), de amor. É o caso do Gstaad Palace, nos Alpes suíços. Ali, onde o calor dos corpos costuma afastar o frio, Gleisi Hoffmann, a senadora dos olhos verdes do PT, entregou seu coração ao amante. Era sexo selvagem. Ela arranhava, mordia, fazia escorrer filetes de sangue do peito de Alexandre Romano. Depois, para saciar a sede, vinhos e champanhes finíssimos.
Embora contasse, em outros roteiros, com figuras expressivas como as estrelas Brigit Bardot, Madonna e Paris Hilton, o desenho não é de uma cena de Hollywood. Real, repetiu-se em diferentes oportunidades. E Paulo Bernardo, o marido traído, ficava em Brasília, seja como ministro do Planejamento, seja ocupando a cadeira principal do Ministério das Comunicações, enquanto sua estrela predileta flutuava em na realização de suas fantasias eróticas.
O certo é que, como em todo romance de alcova, os ingredientes são explosivos. A Operação Lava Jato trouxe à tona um triângulo amoroso protagonizado por três personagens até então conhecidos como sendo do núcleo duro do PT. Alexandre Romano e Gleisi Hoffmann tiveram suas máscaras rasgadas. E Paulo Bernardo, o rosto banhado em lágrimas.
No rastro do advogado Alexandre Correa Romano, a Polícia Federal encontrou um flat que era utilizado para guardar dinheiro e encontros clandestinos e amorosos. Segundo documentos da Operação Lava Jato, o flat fica na rua Jorge Chamas, 334, apartamento 44, em São Paulo. Romano recebia hóspedes ilustres que deixavam malas de dinheiro “esquecidas após a hospedagem”.
Segundo relatório de inteligência da Polícia Federal, o porteiro do flat entregou o vídeo do sistema de TV, onde Romano aparece chegando e deixando o flat 15 minutos depois, com uma mala que, revelou em delação premiada, estava cheia de dinheiro de propina.
Alexandre Romano foi preso na 18ª fase da Lava Jato, batizada de “Pixuleco ll”, e pediu o beneficio da delação premiada. No depoimento, as confissões causaram espanto nas autoridades. Ele revelou seu romance clandestino com a senadora petista Gleisi Hoffmann. A delação, que está sob sigilo, indica também o esquema de propina envolvendo o ex-ministro Paulo Bernardo.
Alexandre Romano foi denunciado por Milton Pascowitch, preso também na Operação Pixuleco. O esquema revela a atuação de Paulo Bernardo, Vaccari, Antonio Palocci e José Dirceu.
Logo após sua prisão, Romano descreveu em seu depoimento, todo o esquema de corrupção na área de Tecnologia da Informação (TI). Os elementos colhidos levaram a PF a preparar a Operação tendo como alvo Antonio Palocci e Guido Mantega.
Recorde-se que em delação premiada, Marcelo Odebrecht, presidente da empreiteira que leva seu nome, na sua mente fértil criou codinomes para planilhas de propinas pagas pelo grupo. E quando se referia a senadora Gleisi Hoffmann, a chamava de “amante”.
 Em acordo de delação homologado no STF em fevereiro, uma cascata de informaçõesveio à tona envolvendo poder, muito dinheiro e esse triângulo amoroso com sérias crises de ciúme da senadora petista. Romano chegou a dizer: “(…) me arranhou o rosto e rasgou a minha camisa em Assunção (..) era ciúme da minha ex-assessora que é casada e nunca prestei atenção(..) proibiu que eu contratasse jovens e mulheres com menos de 30 anos”.
O depoimento detalhadíssimo é impressionante. O amante, portanto, tem nome, sobrenome e o coração tão “vermelho-petista” como o da loira paranaense. Advogado de 41 anos, nascido em Campinas, ex-vereador de Americana, interior paulista, Romano é amante do luxo e conhecido como um  “bon-vivant”.
Ele dividia com a sua amante gostos excêntricos, como vinhos muito caros, joias e viagens a Portugal, Uruguai e outros países. Até hospedagem em icônico resort na Suíça. Além, é óbvio, da estreita amizade com o ‘amigo’ Lula. Em 2006, o “cara” segundo o presidente do EUA Barack Obama, foi presenteado no aniversário com relógio de R$ 90 mil, da marca suíça Frack Muller.
Tudo isso está documentado. São provas que incluem até recibo de 8 diárias na suíte ‘luxo’ do ‘The Gstaad Palace Hotel’, na região de Gstaad, Alpes suíços, onde o ‘casal’ festejava o dinheiro público em farras íntimas.
Nessa disputada e caríssima suíte, passaram figuras como Brigitte Bardot, Paris Hilton, Madonna, Ronald Reagan e até o casal Trump.
A viagem à Suíça envolvia sexo, romantismo e, obviamente, idas a bancos locais, onde jorrava dinheiro do caixa 2. Tudo acabou quando Alexandre foi preso e passou a curtir o cárcere em Curitiba.
Entregou em delação premiada detalhes precisos da arrecadação de propinas que abasteceram os ex-ministros Paulo Bernardo e Aviação Civil, Carlos Gabas, ambos do sujo e mafioso dos governos Lula e Dilma.
O ‘Amante’ concordou em devolver aos cofres R$ 6 milhões na delação com os procuradores. Para isso, vendeu dois apartamentos em Miami, cada um por R$ 3 milhões. A delação de Alexandre Romano ainda esta sendo mantida em sigilo em face dos desdobramentos da Operação Pixuleco.
FONTE: http://www.jdnews.com.br

Amargo regresso | Ricardo Noblat


- O Globo

Estamos na maior crise política da nossa história contemporânea” JOSÉ SERRA (PSDB-SP), senador 

Esqueçamos a Federação Russa, um dos lugares mais corruptos do planeta. O que Michel Temer foi fazer na Noruega, o país mais honesto do mundo junto com seus vizinhos escandinavos? Foi levar uma carraspana da primeira-ministra, preocupada com os destinos da Lava Jato? Foi ouvir o anúncio do governo norueguês de que cortaria parte do dinheiro investido na preservação da devastada floresta amazônica?

OU TEMER FOI PARA SE reunir, como disse, com o Rei da Suécia que não mora na Noruega? Ou como parece mais certo, Temer foi para fugir da crise política que o ameaça desde que se soube do seu encontro no porão do Palácio do Jaburu com o empresário Joesley Batista, dono do Grupo JBS, provedor de campanhas eleitorais do PMDB? Pode ter tentado fugir da crise, mas ela não fugiu dele. Carrega seu nome.

TRISTE REGRESSO. Hoje ou amanhã, a Procuradoria-Geral da República denunciará Temer por crime de corrupção passiva, Mais tarde por crime de obstrução da Justiça. Em seguida, por organização criminosa. Temer entrará para a História por ter sido o primeiro presidente da República investigado e denunciado por corrupção. Para salvar-se, se agarrará a um Congresso povoado de bandidos.

DAVA-SE COMO PROVÁVEL no início da semana passada o arquivamento pelo Congresso das denúncias contra Temer. Mas como desde então os fatos só agravaram a situação dele, e como novos fatos estão por vir, ninguém mais se arrisca no Congresso ou fora dali a fazer previsões. O cenário mais favorável a Temer – e o pior para o país – seria o de ele vagar como um fantasma até concluir seu mandato. Adeus reformas!

ELAS FORAM E CONTINUARÃO a ser desidratadas à medida que Temer mais se enfraqueça como seus aliados receiam. A da Previdência se resumirá à fixação de uma idade mínima para aposentadorias, o que de toda forma representaria um ganho. Se antes, a exemplo da ex-presidente Dilma no seu segundo governo, Temer só comparecia a eventos fechados ao distinto público, daqui para frente tomará ainda mais cuidado.

TEMOS UM PRESIDENTE INTERDITADO como o anterior, ostensivamente rejeitado pela larga maioria dos brasileiros como conferiu a mais recente pesquisa de opinião do instituto Datafolha. Sua aprovação de apenas 7% é a menor de um presidente nos últimos 28 anos. Seu governo é avaliado como ruim ou péssimo por 69% dos entrevistados, um recorde. E 65% acham que sua saída seria o melhor para o Brasil.

QUASE 80% DEFENDEM A renúncia de Temer. Pouco mais de 80% são a favor da abertura de um processo de impeachment para tirá-lo do cargo. Se ele renunciasse ou fosse derrubado, um novo presidente deveria ser eleito pela população, segundo 83% dos consultados pelo Datafolha. Em abril último, 58% diziam não confiar na presidência da República. Agora, 65%. Desconfiança maior só merecem os partidos – 69%.

APESAR DISSO, NÃO HAVERÁ solução fora da política. Sim, com esses mesmos políticos e com esses mesmos partidos de hoje até que se produza nas eleições gerais do próximo ano uma desejável e radical mudança no sistema apodrecido que temos. Por ora, políticos e partidos ainda preferem manter Temer onde está – o PT, por exemplo, para que a crise se aprofunde e ele possa se recuperar. Quanto ao PSDB...

O PARTIDO MAIS ATRELADO aos interesses dos grandes grupos econômicos e financeiros espera a ordem dos patrões para decidir o que fazer.

A rebeldia suburbana de Lima Barreto - Alexandre Rosa

Homenageado na Flip, escritor emerge sempre que o País entra em crises éticas ou institucionais


Autor de 'Triste Fim de Policarpo Quaresma' ganha reedições, biografia e homenagens

Alexandre Rosa*, O Estado de S. Paulo / Aliás, Cultura

A escolha de Lima Barreto (1881-1922) como homenageado na 17.ª edição da Flip vem corroborar a tese segundo a qual o seu nome emerge sempre que o Brasil afunda em crises institucionais, morais, éticas, políticas. Curiosa gangorra. Isso porque, em cenários como este, o componente crítico-social da literatura ganha enorme relevo, bem como sua capacidade de fomentar debates sobre os problemas do país.

Consta na programação da Flip vários títulos a serem lançados: a nova biografia do escritor, preparada por Lilia Schwarcz, Lima Barreto, Triste Visionário (Companhia das Letras, 704 páginas, R$ 69,90); uma reedição de Cemitério dos Vivos e do Diário do Hospício, livros póstumos do autor, organizados, agora, por Augusto Massi, também pela Companhia das Letras; uma edição especial de Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá(1919), programada pela coleção Clássicos Ateliê, são alguns títulos que chegarão às livrarias no segundo semestre do ano.

Vista por alguns como um grande painel autobiográfico e por muitos como testemunho vivo de um período histórico turbulento, a obra de Lima Barreto segue despertando enorme interesse. Sérgio Buarque de Holanda decretou que a admiração por Lima Barreto viria antes de tudo por motivações extraliterárias; a confissão, o inconformismo, a dicção panfletária de sua obra, que não receberam tratamento artístico aprimorado, ficando a meio caminho entre o documental e o desabafo.

O próprio Antonio Candido avaliou com muitas ressalvas a obra de Lima Barreto, tendo-o como um narrador menos realizado Muitos o consideraram um autor um tanto quanto descuidado. Mas, a questão fundamental é: um desleixado sobreviveria tanto tempo a ponto de se tornar canônico?

Francisco de Assis Barbosa, grande biógrafo do escritor, já chamava atenção, em 1952, para a necessidade de se encarar a literatura de Lima Barreto para além do drama íntimo nela incorporado – drama que o perseguiu por toda a vida, fruto do racismo, da pobreza, do uso imoderado do álcool – pois existe, também, uma “filosofia estética” operando em toda produção do autor.

Atualmente, o debate acerca de sua obra parece ter atingido também este patamar: em função de sua militância – estética e política – Lima Barreto profanou o sagrado templo da forma e da linguagem até então sob a custódia dos acadêmicos posteriores a Machado de Assis.

A reação de Lima contra o academicismo ornamental em nossas letras se deu através da constatação sobre a articulação entre literatura, o gosto duvidoso das elites da época e a ideologia que as sustentavam; um bloqueio estético-ideológico, em que as instâncias de poder se entrosavam numa harmoniosa celebração na República das Letras, cujo desdobramento prático eram as reuniões na ABL, os saraus literários em Botafogo, o mundanismo das crônicas sociais de João do Rio e Figueiredo Pimentel; a literatura havia se tornado o “sorriso da sociedade”, num país recém-saído da escravatura.

Um dos melhores resultados deste novo debate sobre a obra barretiana é o recente livro Belle Époque: Crítica, Arte e Cultura (Editora Intermeios, 383 pág., R$ 58), organizado por Carmem Negreiros, Fátima Oliveira e Rosa Gens, que traz o importante “Dossiê Lima Barreto”, com ensaios de diversos especialistas sobre o autor.

Como jornalista, Lima Barreto combateu os desmandos do governo, a corrupção dos políticos, o descaso para com os pobres, a truculência policial. Mas havia, também, o Lima Barreto escritor, esteta, preocupado em arrancar a Musa do sagrado altar e colocá-la para andar de bonde, visitar os subúrbios, conhecer a gente pobre.

Evidente que pagou caro por tamanha ousadia. Poucas obras no Brasil expressam de maneira tão gritante a angústia formal que atormenta os escritores dispostos a romper com a tradição, quando esta deixa de ser a expressão viva de uma realidade e passa a referendar um estado de coisas que precisa urgentemente ser mudado. Com Lima Barreto, nosso realismo se tornou mais democrático.
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*Alexandre Rosa é escritor, educador, pesquisador da obra de Lima Barreto e mestre em Literatura Brasileira pelo IEB/SP

domingo, 25 de junho de 2017

6 motivos que explicam por que você paga tão caro por um carro zero no Brasil - Felippe Hermes

6 motivos que explicam por que você paga tão caro por um carro zero no Brasil

Sonho de qualquer brasileiro acostumado a utilizar nossos serviços de transporte público, o carro próprio tornou-se quase um item folclórico. Para a revista americana Forbes, apenas rodas folheadas a ouro justificariam o preço que pagamos por aqui. Na prática, o buraco é muito mais embaixo. Nosso setor automotivo é uma eterna festa, onde montadoras e governos lucram e se divertem e você, como sempre, paga a conta.
Para qualquer governante de plantão, incentivar o setor automobilístico é quase um sinônimo de incentivar a economia e, claro, arrecadar. A lógica, por trás desta ideia não é difícil de entender. Cada carro a mais nas ruas é um incentivo para o setor de autopeças, que, sozinho, fatura R$ 100 bilhões por ano, quase duas vezes o que a JBS fatura por aqui, mais seguros contratados, mais consumo de gasolina (aquela que você paga 54% de impostos para abastecer), mais pagadores de IPVA, além de inúmeras fábricas construídas para atender às demandas das próprias montadoras.
 
Esta não é nem de longe uma festa recente. Há quase seis décadas optamos por tratar a indústria automobilística como sinônimo de progresso. Chamamos para cá montadoras asiáticas, europeias e americanas, dando a elas a certeza de pouca ou nenhuma concorrência com o setor externo, garantindo que importar um carro seria um desafio tão grande que qualquer espertinho logo desistiria.
Sem opções e vendo as grandes cidades crescerem sem alternativas eficientes de transporte público, a maioria dos brasileiros tornou-se refém deste modelo e acabou tendo de engolir carros de padrão inferior ao internacional, a preços muito mais elevados.
Ao contrário do que querem fazer crer as próprias montadoras, porém, esta não é uma consequência exclusiva dos impostos escorchantes cobrados por aqui, mas um acúmulo de fatores, muitos dos quais montadoras e governantes não parecem nem um pouco dispostos a mudar. Abaixo, resumimos alguns deles pra ajudar a entender melhor essa história.

1) Produzir no Brasil é mais caro

“Custo Brasil” é daquelas expressões que, a despeito do caráter técnico à primeira vista, têm uma explicação das mais simples possíveis, e os motivos pra isso você provavelmente já sacou: todo brasileiro já sentiu na pele o quanto nosso país parece viver um romance inabalável com a burocracia, a desconfiança por parte do setor público, a instabilidade jurídica e os custos raramente justificáveis para empreender ou simplesmente fazer negócios.
Uma logística deficitária, energia elétrica cara – a despeito da abundância de geração relativamente barata na nossa matriz energética (em especial por parte de hidrelétricas) – leis trabalhistas que muitas vezes inviabilizam o custo de contratar alguém (nunca é demais lembrar que pagamos por aqui as maiores taxas de impostos sobre o trabalho no mundo, ou R$ 57,56 em impostos a cada R$ 100 pagos por qualquer empresa) ou simplesmente a demora atípica para iniciar um negócio são problemas inescapáveis, ainda que você seja uma grande empresa e acredite poder compensar tudo isso com a mão amiga dos empréstimos subsidiados do BNDES.
Segundo a ANFAVEA, associação que reúne as montadoras em território nacional, fabricar um carro por aqui é até 60% mais caro que em outros países emergentes, e razões para isso não faltam.
Ainda que as montadoras tenham benefícios tributários para produzir, toda a cadeia que atende o setor e produz as autopeças está sujeita a este mesmíssimo custo, com o agravante de que os custos tornam-se cumulativos.
As chamadas sistemitas, empresas que produzem as peças necessárias para o processo final nas montadoras, enfrentam problemas comuns a qualquer empresa do país, tendo em vista o alto custo de nossas matérias primas, logística deficiente e a quase impossibilidade de se importar estas mesmas peças.
Segundo estudo da mesma ANFAVEA, o custo dos insumos produzidos aqui é até 40% maior do que na média mundial. Para cada US$ 100 que se gasta para montar um carro na China, são gastos US$ 160 no Brasil, ou US$ 120 no México.
Graças ao lobby de nossas siderúrgicas, que defendem suas práticas alegando gerar empregos vitais ao país, nosso aço é um dos mais caros do planeta e a importação é praticamente impossível.
Na prática, produzir um carro aqui consome em média 5,3 horas de trabalho, contra 2,6 horas no México. Some isso ao custo da nossa mão de obra e o resultado é um custo crescente, em nome da proteção do emprego nacional. Concorde ou não que devamos incentivá-los por estes meios, na ponta do lápis você paga por cada protecionismo, do operário de uma montadora ao grande grupo siderúrgico nacional, além do seu carro, um brinde de compensação.

2) A margem de lucro

Operar em um dos mercados mais fechados do planeta poderia ser algo desagradável para o setor. Afinal, impede que montadoras de médio porte cheguem por aqui e apreciem a festa, desfrutada em boa parte por quatro montadoras que concentram 53,33% do mercado.
Nada disso desanima as novatas, como a Hyundai, que recentemente entrou para o grupo dos quatro maiores vendedores nacionais de veículos. Ainda que não sejam públicas, dado que as montadoras não são nacionais e portanto seus balanços são publicados apenas no exterior, sem fazer distinção entre vendas aqui e nos Estados Unidos por exemplo, estima-se que a média de lucro das companhias aqui instaladas chegue a 10%, contra 2% nos Estados Unidos e 5% na média mundial.
Some a isto a margem maior por parte de revendedoras, e o lucro ganha papel relevante no preço final.

3) Os impostos

Se o lucro das montadoras assusta, a participação do Estado na brincadeira não sai por menos. Nossas taxas médias de impostos variam entre 48% e 53% do preço final, contra 21% na Argentina, 22% na Itália, 7,5% nos Estados Unidos, 5% no Japão ou 19% na Alemanha. Por onde quer que se olhe, somos campeões neste aspecto.
Ao contrário do que possa parecer, boa parte dos impostos não sai exatamente do bolso das montadoras, mas se acumula ao longo da cadeia de produção. Imagine por exemplo que uma empresa de aço pague 42% de impostos sobre seus produtos. Ao ser tributada, a montadora terá de pagar uma taxa similar com base no valor do aço comprado, já embutido no custo, e, sobre o custo do veículo, pagar os impostos. Em outras palavras: nosso imposto assume um efeito cascata, tornando produtos mais complexos – e com maior número de processos de produção – os mais taxados.
Na média, a cada R$ 100 faturados pela indústria, R$ 42 são impostos, em boa parte graças a este efeito cumulativo.
Em alguns dos casos mais bizarros, era possível – até decisão recente do STJ – que o governo cobrasse impostos sobre impostos, tudo porque, ao calcular quanto do ICMS uma empresa deveria pagar, os valores de PIS/Cofins entravam na base de cálculo.
Assuma por exemplo que um produto custe R$ 20, sobre os quais deverão ser cobrados 20% de ICMS. Até bem pouco tempo, era completamente legal que os governos estaduais cobrassem impostos não sobre os R$ 20 do custo do produto, mas sobre R$ 20 + R$ 2 de PIS/Cofins, fazendo você pagar 20% de imposto sobre os R$ 2 também.
Práticas como essa não são exceções, mas uma consequência da confusão tributária vivida no Brasil há décadas. Gastamos em média 2600 horas para pagar impostos, isto é, para garantir junto à receita que nossos impostos estão OK. No México, o gasto era de 286 horas em 2015, enquanto na Argentina ficava em 405 horas.

4) A demanda crescente

O brasileiro paga o preço da vaidade
Você já deve ter se deparado com afirmações desse tipo e não é difícil cair em algo assim. Afinal, em um país tão desigual, o apelo de ter maior independência com um carro próprio ou o celular top de linha pode pegar, e muito. Na prática, esta é uma parte pequena do valor final. Nossos desafios rotineiros e incentivos perversos acabam sempre pesando mais.
Note por exemplo que, das dez cidades com maior renda per capita do país, metade não possui sequer metrô subterrâneo, e não estamos falando apenas de cidades com desenvolvimento recente.
Nem a nossa empolgação com a Copa foi capaz de destravar obras urbanas tão relevantes em cidades como Curitiba. Em outras capitais, a escolha por BRTs se sobressaiu aos metrôs por questões meramente financeiras (sem contar aí os ganhos com externalidades de se ter menos carros circulando, poluição ou menos acidentes).
Pode parecer lógico, já que incentivar o transporte público voltado aos ônibus impacta a vida de milhões de pessoas. Em longo prazo, porém, com concessões sempre destinadas a meia dúzia de cartéis já estabelecidos, repetimos um erro de acreditar que modais neste estilo sejam capazes de convencer a população a migrar do seu automóvel para outros meios de transporte.
Ironicamente, foi justamente um dos meios mais travados pelos governos municipais nos últimos anos quem iniciou uma mudança. Coloque na ponta do lápis o custo de se ter um veículo hoje, incluindo gasolina, seguro, estacionamento, depreciação, e não é raro encontrar vezes em que um aplicativo de caronas possa sair mais vantajoso.
Justamente aí, na parte de incentivos, como alternativa em relação às tão frequentes multas da indústria arrecadatória, é que o gosto do brasileiro pode, enfim, mudar e impactar também o custo em longo prazo.

5) O mercado fechado

A popularização de marcas estrangeiras no setor na última década foi um daqueles fenômenos raros. Com o Brasil em alta, marcas de todo o mundo decidiram se instalar por aqui, incluindo nomes como Hyundai, que hoje figura no top 4 de maiores vendedores brasileiros.
Como de costume, o governo acabou enxergando nisso uma oportunidade para medidas um tanto quanto controversas. Por meio da lei de conteúdo nacional, incentivou empresas estrangeiras a virem produzir aqui e ampliou os custos de se importar.
Na teoria, a ideia faz bastante sentido. Empresas como CAOA ganharam escala ao importar veículos e revendê-los a um preço competitivo. Com a lei, acabaram construindo indústrias aqui, gerando emprego, renda e um eleitorado bastante feliz.
Produzir localmente algo que sairia mais barato importar porém, é uma decisão via de regra política, e como tal, tem seu custo diluído pela sociedade.
Justamente por nos prendermos a um debate sobre a importância de alguns setores como estes, que agreguem valor à economia, ou cerca de 21% do nosso PIB industrial hoje, acabamos drenando recursos de áreas em que poderíamos ser mais competitivos, não estivéssemos presos ao baile eterno que é a relação entre governo e montadoras.
Como na parábola do que se vê e o que não se vê, temos os empregos gerados pela indústria na parte visível, e os empregos que deixariam de ser criados ao gastarmos menos com coisas do tipo, e poupar para outros bens. O resultado é uma poupança menor do brasileiro, habituado a pagar mais caro em tudo, colaborando com problemas que se estendem bem além da indústria automobilística.

6) A falta de poupança do brasileiro

“Pague 2 e leve 1” é daquelas promoções rotineiras na vida de todo brasileiro. Ao contrário destas, onde o outro produto que você não leva é também chamado de imposto, no caso de bens como automóveis – rotineiramente financiados em parcelas a perder de vista – a conta pode chegar a números ainda mais grotescos. Falamos aqui de pagar entre impostos e o custo de financiamento até seis vezes o valor original de um veículo.
Motivos pra isso não faltam. A falta de poupança do brasileiro é um sintoma grave que quando aliado a um governo que não cabe dentro do seu próprio orçamento, torna-se um problema em qualquer área. A conta, entre poupança e crédito deveria, em tese, sempre fechar, não fosse um mero detalhe: 72% do crédito do país é consumido pelo próprio governo para se refinanciar.
 
No dia a dia, ao comprar um carro parcelado, você precisa literalmente disputar este empréstimo com as atrativas taxas pagas pelo governo para se refinanciar. O resultado é um custo quase invisível, mas bastante sensível no bolso. Some a isto o fato de que as empresas que necessitam ampliar sua produção para atender à demanda estão sujeitas às mesmas práticas e, no final das contas, parte considerável do seu veículo vem desta irresponsabilidade fiscal.
Custos maiores para produzir peças, custos maiores para financiar veículos etc. Nada escapa da lógica irresponsável de incentivar o país apenas por meio do gasto.

O futuro dos predadores | Fernando Gabeira


- O Globo

Os bandidos comem, por ano, 2% do PIB. Sempre que ligo a tevê no noticiário político, o PSDB está deixando o governo ou decidindo ficar com ele. O partido não conhece aquela teoria da dissonância cognitiva. Ela afirma que, uma vez feita uma escolha, a tendência é reforçá-la com racionalizações. Se escolhemos rosas brancas no lugar das amarelas, tendemos a ressaltar a beleza das brancas e a enfatizar os defeitos das amarelas. O PSDB ou está saindo ou ficando. Se decide ficar, faz precisamente o contrário do que acontece na dissonância cognitiva: começa a refletir sobre as vantagens de sair. No momento em que toma a decisão do desembarque, certamente vai falar muito das vantagens de ficar no governo. Enfim, parece ter uma permanente incapacidade de tomar decisões e seguir com elas.

O drama do PSDB se acentuou com as denúncias contra Aécio Neves. Sua tendência quase genética a subir no muro torna-se mais compulsiva no momento em que tem de escolher entre a Lava-Jato e o sistema político em colapso.

O interessante é observar como a existência das investigações mexe com a sorte dos partidos. O PT, por exemplo, torce para que Aécio Neves não seja preso, pois isso destruiria o argumento de que o partido é, seletivamente, perseguido. A prisão de Aécio pode tornar mais fácil a de Lula. Ambos olham com esperança para Temer, não porque o admirem e sim porque é o único com instrumentos potencialmente capazes de salvar todo mundo.

Escolha de Procurador Geral, mudanças na direção da PF — o sonho de consumo das estruturas partidárias cai nas mãos de Temer, por sua vez, preocupado com sua própria situação, sobretudo com o avanço das delações premiadas.

Janot deixa o cargo em setembro. Fala-se em corrida de delações. Ao mesmo tempo, fala-se num acordo para fixar a diferença entre receber dinheiro pelo caixa 2 sem oferecer nada em troca, ou receber em troca de favores oficiais. Quando setembro chegar, talvez termine o primeiro ato. O PSDB vai hesitar muitas vezes, os adversários políticos continuarão fingindo que não estão umbilicalmente ligados no barco que naufraga.

As raposas políticas trabalham para que Temer escolha um substituto amigo para Janot. É preciso ver como isto vai se passar na instituição, se ela se rende com sem luta, ou resiste ao lado da sociedade. Diz a imprensa que a candidata Raquel Dodge tem apoio de Sarney, Renan e Moreira Franco. Se a eleição dependesse do voto popular, esse apoio seria um abraço mortal.

Tudo é possível num país como o nosso. Surreal mas não o bastante para apagar de nossa consciência o gigantesco processo de corrupção que arruinou o país.

Terça-feira acordei em Curitiba e olhei pela janela do hotel: manhã fria, cinzenta e chuvosa. Pensei nos presos que estão por aqui. O inverno será duro para eles. E, certamente, alguns outros virão para cá.

Mas ainda assim, creio que uma fase esteja acabando. Ela não resolve nada sozinha. Mas abre a possibilidade do país enterrar o sistema politico partidário, buscar algo novo, ainda que questionável, como fizeram os franceses, por exemplo.

O esforço de Sarney, Renan, Moreira e outras raposas do PMDB para deter o curso das mudanças é patético.

Pessoalmente não acredito que uma procuradora de alto nível iria se prestar ao papel histórico de se tornar cúmplice da quadrilha que mantém o país oficial na lata do lixo.

Quando setembro chegar, com o ritmo intenso dos acontecimentos, o perigo de um retrocesso talvez já não esteja no ar. Qualquer substituto, minimamente decente, terá de concluir o trabalho já feito. Muitos fatos ainda devem ser desvendados. Algumas delações devem ajudar. Não creio que a de Eduardo Cunha possa ser uma delas. Cada vez que se fala em sua provável delação, é possível que ele enriqueça mais, vendendo o silêncio, inclusive para inocentes.

Mas a carta de Cunha revela uma reunião entre ele, Lula e Joesley que o dono da Friboi não mencionou sua delação premiada. Isso reforça a suspeita de que Joesley esteja escondendo jogo.

Semanas favoráveis, semanas negativas, semanas no muro, tempo vai se passando, as ruínas do velho sistema político partidário se acumulam. No entanto, o debate sobre a renovação ainda não ocupa o espaço merecido.

Com os dados que temos, é possível que as instituições que sobrevivem realizando seu trabalho e a sociedade que as apoia saiam vitoriosas dessa luta.

De nada adiantará essa vitória se não houver uma alternativa de mudança. Nem todos os bandidos serão presos e a força da inércia pode trazê-los de novo ao topo da cadeia alimentar. Eles comem, anualmente, cerca de dois por cento do PIB.

Por que mantê-los, sobretudo agora que estão se desintegrando? O preço do silêncio e da indiferença pode nos levar a perder uma nova chance de tirar o Brasil do buraco.