segunda-feira, 16 de outubro de 2017

DANILO GENTILI X FOLHA: O OCASO DO JORNALISMO DE LACRAÇÃO - Flavio Morgenstern

Todos comentam sobre a demissão do jornalista da Folha após entrevistar Danilo Gentili. Por que ninguém "lembra" que o jornalista MENTIU?
Há uma versão simples para um fato simples: o jornalista Diego Bargas da Folha fez uma reportagem sobre o filme Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola, com Danilo Gentili. Fez uma chamada mentirosa, dizendo que Gentili não tinha respondido a algumas perguntas. Danilo respondeu mostrando o vídeo com as respostas e Diego Bargas foi demitido da Folha. Fim.
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Mas não é essa história que você lerá por aí. Sem a menor preocupação sobre a justa causa de Diego Braga (ninguém ousa tratar como mentirosa o que está filmado e viralizado), pululam comentários e “notícias” de que um pobrezinho repórter da Folha foi “atacado” por Danilo Gentili, que “incitou” seus seguidores a “travar ‘guerra’ (sic)” contra o coitadinho.
Nenhuma preocupação com a verdade, com o jornalista ter mentido. É essa gente que quer chamar a mídia independente de “fake news”.
A versão mais longa não tem como escapar da simplicidade nível justa causa da versão simples. O jornalista Diego Bargas é o típico jornalista da Folha: militante do PT, com fotos com Lula e Dilma com legendas emocionadas e mensagens partidárias de lacre pelas teses de esquerda.
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Ao cobrir o lançamento do filme Como se tornar o pior aluno da escola, roteirizado por Danilo Gentili, André Catarinacho e Fabrício Bittar, o jornalista Diego Bargas achou por bem ignorar o filme e tentar arrancar uma lacrada para ser compartilhada com urros e faniquitos pela lacrosfera.
Jornalistas tentam isso ao criar o que americanos chamam de story: é preciso um personagem e uma narrativa com desfecho que gere uma manchete sensacionalista, e nenhum personagem melhor no país para isso do que Danilo Gentili, que nem é lá muito polêmico: apenas é um humorista com duas nozes e coragem de fazer piada com a esquerda (ler ao som de “oooohhh” e sussurros de indignação ao fundo).
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Diego Bargas, tendo oportunidade de entrevistar Danilo Gentili, não cumpriu seu papel jornalístico, de discutir o filme, inclusive suas reais polêmicas: preferiu discutir (surprise, surprise) a opinião política de Danilo Gentili. E, claro, de outros desafetos da esquerda brasileira, como se tivessem alguma coisa a ver com o filme.
Insatisfeito com o insucesso de sua empreitada (não conseguiu nenhuma frase marcante para uma lacrada), saiu-se dizendo em um jornal do tamanho da Folha que Danilo Gentili “preferiu não responder sobre piadas com pedofilia”. Era a segunda chamada da Folha.
O problema: Danilo Gentili havia respondido. O jornalista estava mentindo. Gentili mostrou a entrevista gravada, avisando que provaria que Diego Bargas estava mentindo.
O resultado: Diego Bargas foi demitido da Folha. E ao invés de admitir tudo o que a internet já sabia sobre ele (que tinha mentido, que estava tentando lacrar, que não tinha falado nada do filme, que sua chamada era fanfic etc etc), culpou: 1) Danilo Gentili; 2) a onda conservadora; 3) a pós-verdade (sic); 4) os tempos sombrios (choveu muito em São Paulo nesses dias); 5) os fãs de Danilo Gentili; 6) o fato de Danilo divulgar um print, e não um link para a sua matéria; 7) o ódio; 8) o fato de ser conterrâneo de Gentili; 9) a Warner Bros e a Paris Filmes; 10) o fato de ter “desafiado” Gentili (?!); 11) as suas frases favoráveis a Lula, Dilma e Haddad serem ridículas e irrelevantes (d’accord); 12) o MBL; 13) o ódio de novo; 14) a onda de ódio que tirou seu emprego; 15) o ódio liderado por Danilo Gentili, já que ninguém no país sabe odiar sozinho. Não pareceu exatamente uma mensagem hate-free, mas ele jura que o problema é o ódio… dos outros.
Jornalista Diego Bargas, demitido da Folha de São Paulo por mentir sobre filme "Como se tornar o pior aluno da escola", com Danilo Gentili
Em suma: a culpa é de Deus e o mundo, exceto dele e de sua fake news. E olha que estamos falando da Folha. Nessas horas, esquerdista lacrante adora terceirizar culpa. Ou melhor: socializar, distribuir, promover a igualdade culposa total.
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Diego Bargas foi vítima única e exclusivamente de si próprio e de seu péssimo profissionalismo (e olha que estamos falando da Folha!!). Suas perguntas, aliás, longe de “desafiadoras”, foram tosquíssimas, nível “Por que não colocar o Alexandre Frota e a Sheherazade no elenco?” (ei, seu Spielberg, não acha que tinha de ter espaço para o Alf e o Alien nesse filme do ET?).

Justa causa

Há um problema claro, que marca um turning point na história do jornalismo lacrador brasileiro: as redes sociais. Americanos não usam Facebook e Twitter como brasileiros usam (até mesmo a infame alt-right surgiu no obscuro 4chan). Não é instantâneo e imediato: americanos não usam até uma rede de notícias como chat.
Notícias como a tentativa de lacre de Diego Bargas teriam funcionado se as pessoas manipuladas não tivessem uma plataforma que gere público organizado. A Folha publicaria mentiras, parte do público cairia, alguns poucos outros teriam acesso a uma informação que prova o erro (ou a mentira) e uma minoria viria um “Erramos” na edição seguinte.
Os tempos mudaram. O ombusman da Folha hoje vale muito menos do que passar vergonha em público no Twitter. Até mesmo a Folha (a Folha!) se vê obrigada a demitir um jornalista esquerdista por inventar fake news, não importando o chilique mimimi de desculpas que ele dê depois.
A grande e velha mídia pode tentar atacar alguém que ouse falar mal do PT, unicamente dizendo que ele é que ataca (e incita, e persegue etc). Pode tentar ignorar a todo custo que o jornalista mentiu (toda mentira é válida pra proteger a esquerda e atacar conservadores) e que o jornalista foi demitido por justa causa. Justíssima causa. Mas a internet fica sabendo bem antes de jornalistas terem tempo de fazer sua versão dos fatos para tentar fazer alguém acreditar.
Quem acredita é só a militância fanática, que acreditará que Danilo Gentili ele próprio obrigou crianças a lhe masturbarem para entrar no elenco do seu filme antes de averiguar se não há uma confusão no telefone-sem-fio aí. E aí, cria-se o clima de “polarização” que tanto dizem: entre crentes e céticos, entre uma manada manipulada pela mídia e gente com o desconfiômetro ligado.
E a tentativa de chamar de fake news tudo o que não seja chancelado pela grande e velha mídia – mas sem que a mentira esteja escancarada no seu jornal, só vale defender o jornalista mentiroso no jornal alheio.
A quizomba entre Danilo Gentili e um jornalista da Folha qualquer que foi tentar resenhar seu filme é auspiciosa ao Brasil sobre uma possível mudança pendular no fenômeno do jornalismo de lacração, quando jornalistas escrevem panfletos partidários, textões de recalque e fanfics de esquerda mimada em forma de matéria de jornal, mormente na grande e velha mídia.
É o que faz com que universitários lobotomizados gritem “lacrou!” sem se preocupar com lógica, ou digamos, a verdade dos fatos. A mídia hoje é completamente fake news, e alguém dizer que não acredita no que sai no jornal é quase um atestado de sanidade.
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domingo, 15 de outubro de 2017

País dos privilégios | Míriam Leitão


- O Globo

O Brasil cria mais privilégios a cada semana. Na quarta-feira, o STF demonstrou que, se for o senador Aécio Neves que estiver em questão, pode-se ter uma interpretação ambígua até sobre os poderes do Supremo. Na sexta-feira, o Planalto pediu ao STF para revogar a prisão após a condenação em segunda instância, um dos raros avanços nos últimos anos sobre o velho problema do país.

O tratamento desigual é o centro dos erros brasileiros, mas isso é reafirmado constantemente. Pobres e anônimos vão presos após qualquer condenação, ou passam anos detidos sem sequer culpa formada. Ricos e famosos só iam para a prisão após a longa tramitação do processo. O caso Pimenta Neves é o exemplo. Um dos muitos. Assassino confesso, em crime premeditado, ficou anos fora da prisão — mesmo após dupla condenação — pela força das estratégias recursais dos seus advogados. No ano passado, o STF decidiu que, após ser condenado por um órgão colegiado, portanto em segunda instância, o réu começa a cumprir a pena. Isso, hoje, ameaça diretamente muitos integrantes da elite política brasileira processados pela Lava-Jato. Alguns ministros do STF ficaram inconformados com a decisão e iniciaram o bombardeio para que o entendimento fosse revisto. Agora, a Advocacia-Geral da União enviou ao STF manifestação a favor da revisão.

No Brasil, se o criminoso fez ensino superior tem direito à cela especial. Se for político, pode cometer crime comum porque é protegido por imunidade parlamentar. Se for militar, cumpre pena e fica ao abrigo da Justiça Militar, aquela mesma que ameaçou e condenou civis durante a ditadura, mas que protege os seus na democracia. O almirante Othon Luiz Pinheiro, ex-presidente da Eletronuclear, condenado a 43 anos por corrupção, exigiu ficar preso em estabelecimento militar e conseguiu. Agora, já está solto na onda recente que houve de liberação de condenados nos vários processos contra a corrupção que o país tem assistido.

O que houve no STF na quarta-feira mostrou até que ponto pode chegar o contorcionismo jurídico no país para se confirmar a ideia da “A revolução dos bichos”, de George Orwell, de que todos são iguais perante a lei, mas alguns são mais iguais do que os outros. Parlamentares já foram afastados de seus mandatos por decisão do STF, como Delcídio Amaral e Eduardo Cunha, como deve ser. Nessa semana, um Supremo dividido decidiu de maneira diferente. Se a medida cautelar, mesmo que não seja a prisão, afetar o mandato, o Congresso tem que ser ouvido antes. A última palavra cabe ao Congresso e não ao Supremo Tribunal Federal.

A ideia de que “o mandato é o que está sendo protegido e não o parlamentar" é balela. O voto é para que o político represente o seu estado ou sua região, e não para que cometa crimes. A imunidade foi pensada para proteger a atividade parlamentar. Por isso tudo, o que se relaciona ao exercício dessa representação está protegida. E assim foi escrito na Constituição, porque, em períodos autoritários, os parlamentares eram cassados por suas palavras, ideias, e atividades de representação. Quando se escreveu na Constituição o princípio da imunidade parlamentar, não se pensava, evidentemente, em crime comum.

A questão da quarta-feira não era sobre o senador Aécio Neves oficialmente, mas de fato era. Com ele em mente, e o voto da presidente do Supremo, o STF errou. Minas Gerais votou para que o senador representasse os interesses do estado, e defendesse as ideias que apresentou na campanha. Ele não foi eleito para pedir dinheiro a um investigado em cinco operações anticorrupção. Dinheiro que seria entregue em espécie a um enviado especial, desses que “a gente mata antes". Não foram esses os poderes que Minas delegou ao senador quando o elegeu. A tese de que “o mandato é do povo, e o povo, soberano” só pode ser defendida se vier com a pergunta: qual poder foi delegado pelo povo ao seu representante? Certamente não foi o de cometer crimes.

Esse tem sido nosso vício desde o início. O país dos fidalgos, do “sabe com quem está falando", não aceita o “erga omnes". A revolução que está sendo feita no processo de combate à corrupção é a de que a lei é universal. Mas o velho país dos privilégios resiste.

De volta ao ano que vem | Fernando Gabeira


- O Globo

As pesquisas confirmam o que quase todos sentimos nas ruas: as pessoas querem mudança e consideram as eleições de 2018 o melhor caminho para impulsioná-la. É uma boa notícia, cercada de dados negativos. Um deles é a reforma política nada amigável às mudanças. O velho sistema político partidário parte com uma vantagem financeira respeitável: um fundo eleitoral de R$ 1,8 bilhão.

Ea decisão do Supremo é outro dado da blindagem dos políticos: o Congresso deve rever em 24 horas todas as medidas cautelares que atinjam o exercício do mandato. Isto significa que, se o STF afastar um senador, certamente seus pares vão anular a medida. A última palavra, nesse caso, não pertence mais aos juízes. O sistema político partidário deve estar comemorando. Aécio também. Mas, se analisarmos o contexto da disposição popular, essas medidas vão acabar isolando mais ainda os detentores de mandatos políticos. Pelo menos teoricamente, para se salvar das investigações e de suas consequências, o sistema partidário terá de ir mais longe no seu longo processo de suicídio. Naturalmente, a disposição pela mudança não é suficiente para que ela aconteça. Há muitas arestas a aparar.

Tenho refletido e lido sobre o conceito de tolerância. Cheguei à conclusão de que é muito flexível, depende de circunstâncias históricas, de quem tolera ou é tolerado. A tolerância como conceito moderno nasceu do liberalismo e é um fruto das guerras religiosas e da separação entre as autoridades do estado e da igreja, abrindo uma brecha para o indivíduo diante dessas forças gigantescas. Mais urgente que falar dela é tentar entender o quadro em que se move.

Tenho observado um deslocamento de calores no debate político brasileiro. No período anterior à queda de Dilma, o confronto se dava, além, é claro, da roubalheira, em torno de sistemas políticos. Tanto que os adversários do PT sempre diziam: “vai para Cuba, vai para Cuba”. Nem o mais radical dos críticos do artista pelado no MAM ousaria mandá-lo para Cuba, por achar a pena pesada demais. Toda uma geração de artistas foi esmagada pela revolução cubana — isto é bem descrito nos livros de Reinaldo Arenas. Durante muito tempo, a revolução decidiu encerrar homossexuais em campos de trabalho.

A sensação que tenho é de que o choque entre socialismo e capitalismo está em segundo plano. Sobe para o topo uma espécie de resistência à globalização e suas tendências multiculturais. Isso aconteceu na eleição de Trump e também na vitória do Brexit. Só que até nos Estados Unidos a globalização é sentida por alguns setores como uma ameaça econômica, perda de postos de trabalho, ruína de regiões que perdem sua competitividade global. No Brasil ninguém vê a globalização como causa da crise. Todos sabem que a nossa foi causada pela incompetência e pela corrupção das forças internas. No entanto, no campo dos costumes e, sobretudo, com a aceleração do mundo digital, muitas famílias se sentem inseguras diante de rápidas mudanças e temem por seus valores, tradição e até mesmo pela ideia que têm da própria identidade nacional.

O debate sobre os caminhos da saída econômica revela uma predominância do liberalismo. Ainda assim, no Brasil, isso precisa ser relativizado. O MBL, um movimento que se destacou na oposição ao governo de esquerda, tem uma clara opção liberal. No entanto, nos temas comportamentais, aproxima-se da posição de Bolsonaro. Este, por sua vez, apesar de seu enfoque nacionalista, se aproxima do liberalismo econômico. Essa discrepância em adotar o liberalismo econômico, abertura para o mundo, e, simultaneamente, combater algumas de suas consequências é apenas um dado.

Os chineses sabem combinar elementos de liberalismo econômico com seu regime político de um só partido. Posições liberais na economia não correspondem mecanicamente a uma posição liberal nos costumes. Aqui, os artistas continuarão produzindo com liberdade e, em certos momentos, sendo provocativos como têm sido em toda a história da arte. E uma maioria da população tende a sentir-se ultrajada por saber que, apesar de maioria, sua visão de mundo não é levada em conta. Verdades políticas surgem daí. As duas mais visíveis são a tentativa de articular o desconforto com certas consequências do mundo moderno e a outra se entrincheirar em ideias de vanguarda descartando a opinião majoritária como atrasada. Nenhuma delas me parece adequada para o Brasil.

A admiração com que Barack Obama foi recebido aqui mostra que existe uma simpatia por posições que tentam navegar de olhos abertos para um mundo em transformação sem perder o contato com o fio terra. A própria Angela Merkel venceu uma grande batalha pela tolerância ao receber os imigrantes. Conseguiu se reeleger. Sempre foi crítica da trajetória do multiculturalismo, que acaba deixando ao relento o pobre, que não está integrado em nenhuma das identidades culturais que disputam o espaço.

Isso que chamo de pé na terra, por falta de melhor definição, pode ser, no Brasil, essencial para tirar o barco do lodo.

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É jornalista

sábado, 14 de outubro de 2017

VEJA: NÃO EXISTE “CRIANÇA TRANS”, EXISTE PAI QUERENDO ENFIAR IDEOLOGIA NO FILHO - FLÁVIO MORGENSTERN


Ex-revista Veja extrapola o sensacionalismo ao usar criança de 6 anos na capa para implantar a hipersexualidade revolucionária precoce.
Depois de uma reportagem de capa risível sobre Jair Bolsonaro, a Veja, uma ex-revista desesperadamente preocupada em se tornar palatável para os leitores de Brasil 171 e Diário do C. do Mundo (tem até página para o Sensacionalista, de Marcelo Zorzanelli, um dos fundadores do DCM), fez uma nova reportagem capa, lançada em pleno Dia das Crianças, sobre pais de “filhos trans”. Na capa, uma criança de 6 anos que ensinou seu pai sobre “identidade de gênero”.
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O principal teórico do que podemos chamar de “socialismo democrático”cujas teses sobre mídia foram aplicadas no Brasil, o italiano Antonio Gramsci, sabia que muito mais do que a força impositiva dos revolucionários bolcheviques para a implantação do socialismo através da Nomenklatura estatal, no Ocidente importava a hegemonia, uma gradual manipulação do senso comum através de órgãos de mídia, professores, celebridades e “intelectuais orgânicos”, de acordo com sua definição (esta destruição do senso comum é que nomeia este humilde recanto). Sobretudo aqueles bastante conceituados outrora, como já foram no Brasil instituições como a Igreja Católica e a revista Veja.
Capa da Veja: "Meu filho é trans"É a síndrome de hegemonia que acomete a Veja, a ex-revista, hoje sob a batuta de André Petry, que levou a sua editoria a aplaudir qualquer idéia dita “revolucionária, mas dentro da democracia” que seja aventada alhures.
Ora, de acordo com estudo pubicado pelo Williams Institute da UCLA em 2011usado como fonte até pelo jornal de extrema-esquerda New York Times, apenas 0,3% da população americana (que tinha 310 milhões de pessoas) se identificavam como “transgêneros”, totalizando 700 mil adultos.
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Supondo que ser “transgênero” seja algo dito “natural”, e não algo influenciado pelo ar, pela água, pelo glúten, pela soja, pela temperatura média ou pelo que a mídia torna desejável, podemos inferir que o percentual para o Brasil, com apenas 190 milhões de habitantes em 2010, levante alguma suspicácia sobre a capa da revista, que afirma que a “condição” afeta 1 milhão de brasileiros” (sic). Será a diferença de latitude? Será o Carnaval? Será o programa Sílvio Santos?
Ainda que estudos mais recentes apontem para até 0,5% de americanos transexuais (!), perfazendo 1,4 milhões de transexuais americanos adultos em 2016, e nada tendo mudado no ar, na água, no glúten, na soja ou na temperatura média no período (e nem mesmo no assim chamado “preconceito”, que não teria diminuído em 2016), resta crer que a única mudança possível para o gigantesco aumento de 0,2% na população transgênero tenha sido o que a mídia torna desejável.
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Ainda assim, há aparentemente assuntos com alguma relevância maior, afetando um nicho um pouco maior de pessoas, a ser tratado pelos maiores veículos da grande e velha mídia, como Globo e Veja. A depressão mais aguda afeta 6,7% de americanos, ou 14,8 milhões de adultos, por exemplo. Uma em cada 33 crianças e um em cada oito adolescentes sofrem de depressão.
Ainda que tenha números indescritivelmente maiores (para não falar em deficientes físicos, ou pessoas com câncer, ou crianças órfãs, ou filhos de pais viciados em drogas, ou favelados, ou crianças abusadas pelos padrastos etc), você não verá nenhuma política pública sobre depressão virar tema a dividir esquerda e direita nos debates políticos, ou conversas de bar entre amigos, ou discussões sobre como precisamos reformar inteiramente a sociedade em prol de pessoas sofrendo de coisas muito mais graves. As capas de Veja sobre depressão só surgem quando se fala em controlar as pessoas com novos remédios, e não sobre o chamado “mal estar” do mundo moderno.
Afinal, nada disso envolve o ataque ao senso comum, que hoje precisa ser mediado pela grande mídia, celebridades, professores, políticos e demais intelectuais orgânicos como é o caso de pessoas transgêneros. Hoje, ainda mais aprofundado com o uso de crianças como peões de manobra no tabuleiro político – vide a capa de Veja.
Misteriosa, estudada há pouco e sempre com inversões e contra-estudos sobre sua natureza, além da causa misteriosa, casos reais de transtorno de identidade de gênero são coisa rara e delicada, e teve resultados desastrosos quando foram manipulados para provar uma ideologia.
Bem ao contrário de toda a quizomba armada em torno da jornalisticamente chamada “cura gay”, que nada tinha a ver com “curar gays”, os resultados mais trágicos observados sobre a imposição de ideologias sobre a sexualidade foram causados justamente pela ideologia de gênero: o famoso experimento do caso David Reimer, quando se tentou trocar o sexo de um bebê à força para provar que o gênero é socialmente construído, e não se nasce com ele – ou seja, para se provar a ideologia de gênero, aplicada até a crianças.
Como spoiler para quem ainda não pesquisou sobre o caso, terminou em depressão, suicídio e morte de uma família inteira, enquanto o psicólogo que impôs a ideologia de gênero se jactava em “estudos acadêmicos” sobre o “sucesso” de seu experimento.
Nada disso será lido na reportagem de Veja: a ideologia de gênero que acredita em uma classe de seres humanos fora da estrutura da espécie denominada “crianças trans” trata todo o espinhoso assunto com a mais pura ciência da grande e velha mídia atual: crianças “não se identificam”, e pá-pum, acabou o problema.
Todo o tutano da discussão que não caiba em auto-declaração poderá então ser explicado por uma meia dúzia de palavras-chave como preconceito, respeito, obscurantismo, fanatismo religioso. É, nem sempre chega a meia dúzia.
Crianças, como aquela que o Brasil testemunhou a tocar envergonhadíssima em um homem nu no MAM, sem saber o que estava errado (mas sabendo que algo estava errado), não têm consciência de questões como sexualidade. É por isso que qualquer atividade sexual para crianças é perniciosa: coisas normais, ou mesmo normalizadas, para adultos são proibidas para crianças por razões o mais das vezes óbvias.
Quando uma criança “não se identifica com seu sexo biológico” (como se uma criança soubesse o que é algo como sexo biológico, ou como se soubesse o que é sexo), tudo o que 99,999% dessas crianças está fazendo é tendo uma crise de identidade óbvia e natural desta fase da vida.
Criança transgêneroAlguns se identificam com o Batman, ou com um astronauta. Outros são meninos que se identificam mais com figuras femininas como a mamãe. É normal que ninguém se identifique com um repórter da Veja fazendo uma matéria dessas, pois a criança só tem identificação com posições de prestígio (nenhuma se identifica com losers). Basta crescerem um pouco e voilà, veja a mágica ser desfeita e a criança abandonar um pouco o mundo da fantasia e ganhar um pouco de contato com a realidade. A despeito e revistas como a Veja insistirem no caminho contrário.
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A maior ideóloga de gênero em atividade hoje é a feminista ultra-radical Judith Butler, autora da pedra de toque sobre o assunto, o livro Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity, de 1990. Para Judith Butler, após uma radical cisão entre sexo e gênero, fica-se com a biologia circunscrita tão somente à secundária função quase excretora, enquanto as “performances” sociais definiriam gêneros.
Ou seja: menino gostar de azul e menina gostar de rosa não teria “nenhuma” relação com biologia, seriam puras “perfomances” sociais definidas pela “sociedade patriarcal” (Judith Butler, lembrando o que Victor Klemperer estuda sobre a linguagem do Terceiro Reich, ama algumas aspas irônicas, até em palavras como “mãe”, “filho”, “criança” e afins).
Robert Smith, vocalista do The CureNão é preciso ser um gênio para perceber que diversas dessas performances têm um simbolismo claramente calcado em uma realidade que ideólogos como Judith Butler odeiam (o rosa é identificado até por animais como uma cor a indicar delicadeza, e o fato de as saias ter sido desenvolvidas para meninas e as calças para meninos só pode gerar dúvidas em quem nunca viu nenhum dos dois como veio ao mundo). Vide como o personagem de Robert Smith, vocalista do The Cure, trabalha bem como uma criança usando roupas ora do pai, ora da mãe, e completamente confusa no resultado.
Nem tampouco que as tais “performances” são justamente as únicas coisas que crianças sem conciência nem sequer de si próprias (algo conquistado após diversos e dolorosos ritos de passagem no caminho para a maturidade) conseguem imitar de adultos. Uma suposta “menina trans” de 5 anos não deve passar muito tempo tentando fazer xixi de pé e nunca ouviu falar da maior sabedoria exclusivamente masculina da história: não importa o quanto você balance, o último pingo sempre cai na sua cueca.
Na verdade, para alguém descolado da realidade como Judith Butler (num nível além da reportagem da Veja, mas não muito além), nem mesmo a biologia é impeditiva: as cirurgias de mudança de gênero, o movimento transexual e os hormônios “provam” que nem mais o sexo é impeditivo. A turma que tanto fala em “ciência” para ir contra as “crenças religiosas obscurantistas e ultrapassadas” é a primeira a jogar a Biologia no lixo quando precisa lembrar das aulas de XX e XY.
(Judith Butler, que tanto denuncia as “performances” como meras “performances”, que não deveriam aprisionar seres humanos a manter o seu gênero atrelado a seu sexo, é a primeiríssima a exigir performances 200% calcadas no patriarcado, como quando veio palestrar no Brasil e exigiu que os homens fossem assisti-la de saias.)
O que eram supostas “crianças trans” antes da invenção moderníssima de cirurgias de mudanças de gênero e da combustão de hormônios que precisam ser atualizados semanalmente para que não se volte a encarar a triste agonia científica, a reportagem da Veja não se digna a dizer.
O efeito deletério dessa implosão de medicamentos para mascarar a realidade e manter crianças com conflito de identidade no reino da fantasia também não se encontra nas páginas de Veja: a necessidade de ter crianças com síndrome de puer aeternus e se tornando fanáticas militantes do PSOL em troca de uma vida de frustrações, remédios, cirurgias e acompanhamentos psiquiátricos para problemas artificialmente criados é muito mais urgente.
Não há para onde correr e não ver a agenda da grande e velha mídia (e a Veja sob a batuta de André Petry, de revista mais conceituada do país, para uma ex-revista albergando comunistas e jornalistinhas sem nada importante a dizer, apesar das bravas resistências intelectuais de alguns grandes jornalistas da velha guarda).
Capa Veja Rio: "Meu filho é trans"Apesar da chamada sensacionalista (!) da capa, ninguém pode dizer “Meu filho é trans” sobre uma criança de 6 anos. Uma criança de 6 anos no máximo é um menino que ainda não entendeu a convenção social de que as saias são para as mulheres, e se tiver vontade de usar saias, será como uma brincadeira tão inocente quanto brincar de cowboy e índio (ou não sei como as crianças fazem hoje, talvez bancada da bala contra bancada da chupeta).
Seu filho nada entende de sexualidade, não se “identifica” como algo diferente do que o filho do vizinho que se identifica como o Homem-Aranha ou se identifica mais com um dos padrastos do que com o pai biológico. Seu filho apenas é confuso. E não entende convenções sociais (ninguém as entende de todo, toda sitcom é baseada nisso).
Convenções e tradições são compilações de conhecimento das eras, mas vêm sem manual de instruções: é seu trabalho como pai explicar que menina pode brincar de tiroteio e menino pode gostar de dança, mas que isso nada tem a ver com “transexualidade” só porque um psicólogo criado a base de Michel Foucault mandou seu filho tomar hormônio que cavalo não tomaria a cada 2 horas pra satisfazer sua ideologia. Isto é o PSOL tentando ganhar eleição via doping.
Crise de identidade é obrigatório em criança. O problema é quando adultos a têm, e criam problemas no laboratório do dr. Moreau, apenas para vender ideologia política, em troca de uma geração frustrada, hormonizada e cirurgicalizada. E quantos estudos fizeram sobre arrependimentos na idade adulta, quando costuma vir a maturidade e um oceano de arrependimentos para se afogar?
Seu filho não é trans. Ele mal tem um problema. O maior problema que ele tem é o pai idiota que ainda não acordou pra realidade mesmo após a idade que deveria trazer alguma maturidade.

Ouça também o episódio “Ideologia de gênero é contra a teoria da evolução” de nosso podcast, o Guten Morgen.
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